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CPTS11 ou BTHF11: qual fundo imobiliário pode pagar mais dividendos?

Comparação entre dois FIIs multiestratégia mostra diferenças em desconto, dividendos e potencial para o cenário de queda da Selic.

Redação RadarFII Publicado em 15/03/2026

Investidores que buscam renda passiva com fundos imobiliários frequentemente enfrentam dúvidas na hora de escolher entre ativos com estratégias semelhantes. Entre os FIIs mais comentados do mercado estão CPTS11 e BTHF11, dois fundos multiestratégia que investem principalmente em CRIs e cotas de outros fundos imobiliários.

Ambos apresentam alta liquidez, grande número de cotistas e dividendos atrativos. No entanto, existem diferenças relevantes em relação à gestão, diversificação da carteira e potencial de crescimento para os próximos anos.

Com a expectativa de queda da taxa Selic entre 2026 e 2027, muitos analistas acreditam que fundos com forte exposição a outros FIIs podem se beneficiar de forma significativa, especialmente em um cenário de valorização do mercado imobiliário.

A seguir, veja uma análise comparativa entre CPTS11 e BTHF11 para entender qual deles pode estar melhor posicionado no cenário atual.

CPTS11: fundo grande, descontado e com dividendos acima de 1% ao mês

O CPTS11, gerido pela Capitânia, está entre os fundos imobiliários mais populares da bolsa brasileira, com mais de 360 mil cotistas e patrimônio bilionário.

IndicadorDados aproximados
Cotação8,12 reais
P/VP0,87
Desconto patrimonialcerca de 13%
Dividend yield anualizadoaproximadamente 14%
Liquidez média diáriaacima de 9 milhões de reais
Patrimôniocerca de 3,2 bilhões de reais
Último rendimento0,09 real por cota

O desconto no valor patrimonial indica que o fundo está sendo negociado abaixo do valor de seus ativos, o que pode representar uma oportunidade para investidores que buscam FIIs descontados.

Estratégia de investimento do CPTS11

A carteira do CPTS11 possui forte diversificação, baseada principalmente em cotas de outros fundos imobiliários e CRIs.

  • 68,2% em cotas de outros FIIs
  • 23,6% em CRIs
  • 4,5% em caixa
  • 3,8% em operações compromissadas

O fundo investe em cerca de 84 fundos imobiliários diferentes, sendo que aproximadamente 80% deles são fundos de tijolo ligados a segmentos como shopping centers, logística, lajes corporativas e renda urbana.

Na parcela de CRIs, o fundo possui 11 operações estruturadas indexadas ao IPCA, consideradas de perfil high grade, ou seja, com menor risco de crédito.

Entre os devedores aparecem empresas relevantes do varejo e do setor imobiliário, como General Shopping, Grupo Mateus, Grupo Pão de Açúcar e Assaí Atacadista.

Resultado financeiro recente

No relatório mais recente, referente a janeiro, o CPTS11 apresentou os seguintes números:

  • Receita bruta de cerca de 45,3 milhões de reais
  • Despesas de aproximadamente 13,3 milhões de reais
  • Resultado líquido próximo de 32 milhões de reais

O fundo distribuiu 0,09 real por cota, mantendo o nível histórico de dividendos.

Uma parte relevante da receita recente veio de ganhos de capital com a venda de cotas de FIIs, estratégia adotada pela gestão desde julho de 2025.

BTHF11: fundo com estratégia mais diversificada

O BTHF11, gerido pelo BTG Pactual, também se destaca como um dos principais fundos multiestratégia da bolsa.

IndicadorDados aproximados
Cotação9,37 reais
P/VP0,92
Desconto patrimonialcerca de 8%
Dividend yield anualizadoaproximadamente 12,16%
Liquidez média diáriaacima de 5 milhões de reais
Patrimôniocerca de 2 bilhões de reais
Cotistasmais de 315 mil investidores
Último rendimento0,10 real por cota

Embora negocie com desconto patrimonial menor que o CPTS11, o BTHF11 apresenta dividendos ligeiramente maiores no momento.

Estratégia de investimento do BTHF11

A carteira do BTHF11 está estruturada em quatro pilares principais:

  • CRIs: cerca de 37 ativos, com aproximadamente 818 milhões de reais investidos
  • Fundos imobiliários: cerca de 50 ativos, somando aproximadamente 1,24 bilhão de reais
  • Ativos reais: dois imóveis físicos no portfólio, incluindo um shopping center e uma laje corporativa
  • Caixa e investimentos financeiros

A distribuição aproximada da carteira é a seguinte:

  • 36% em fundos de tijolo
  • 22% em fundos de papel
  • 17% em CRIs
  • 6,5% em imóveis físicos
  • 1,7% em ações
  • 16,7% em caixa

Um dos destaques atuais do fundo é o elevado nível de caixa, superior a 250 milhões de reais, resultado da venda parcial de um imóvel corporativo. Esse montante pode permitir novas aquisições ao longo de 2026.

Comparação entre CPTS11 e BTHF11
IndicadorCPTS11BTHF11
Cotação8,12 reais9,37 reais
P/VP0,870,92
Dividend yieldaproximadamente 14%aproximadamente 12%
Último dividendo0,09 real0,10 real
Patrimônio3,2 bilhões de reais2 bilhões de reais
Cotistas360 mil315 mil
Liquidez diária9 milhões de reais5 milhões de reais
Impacto da queda da Selic

Caso o mercado confirme um cenário de queda da taxa Selic em 2026, tanto o CPTS11 quanto o BTHF11 podem se beneficiar.

Isso ocorre porque grande parte do patrimônio dos dois fundos está alocada em cotas de outros fundos imobiliários, ativos que tendem a se valorizar em ambientes de juros mais baixos.

Além disso, taxas menores costumam aumentar o fluxo de investidores para FIIs, valorizar ativos imobiliários e reduzir o custo de financiamento no setor.

Qual fundo pode parecer mais interessante

Embora o CPTS11 apresente maior desconto patrimonial e dividend yield mais elevado, alguns investidores enxergam vantagens no BTHF11, especialmente por conta da gestão do BTG Pactual e da estratégia mais diversificada.

Outro ponto relevante é o elevado nível de caixa do fundo, que pode permitir novas aquisições e oportunidades de investimento no mercado.

Enquanto o CPTS11 depende em maior grau de ganhos de capital com a venda de cotas de FIIs para sustentar parte de seus dividendos, o BTHF11 apresenta menor dependência desse tipo de estratégia.

Por isso, alguns analistas consideram o BTHF11 um fundo mais equilibrado no momento, mesmo negociando com desconto menor.

O que investidores devem observar

Antes de escolher entre os dois FIIs, investidores costumam avaliar alguns fatores importantes:

  • Perfil de risco
  • Estratégia de gestão
  • Diversificação da carteira
  • Sustentabilidade dos dividendos

Tanto o CPTS11 quanto o BTHF11 estão entre os fundos mais populares da bolsa, com mais de 300 mil investidores cada.

No cenário atual, a escolha entre eles tende a depender principalmente da confiança na gestão e da estratégia adotada por cada fundo.