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GARE11 amplia carteira logística e negocia venda de R$ 804 milhões em imóveis

Fundo imobiliário combina novas aquisições, diversificação de receitas e venda de ativos comerciais. Com cotas a R$ 8,77, gestão projeta rendimentos mensais entre R$ 0,083 e R$ 0,090 em 2026.

Redação RadarFII Publicado em 21/10/2026

O fundo imobiliário GARE11 atravessa uma fase de transformação que pode alterar significativamente sua carteira e sua capacidade de gerar rendimentos. Depois de ampliar o patrimônio com novas emissões de cotas, o Guardian Real Estate passou a combinar aquisições milionárias de galpões logísticos com a negociação de venda de imóveis comerciais.

Em 20 de outubro de 2026, as cotas eram negociadas a aproximadamente R$ 8,77. O preço permanecia abaixo do valor patrimonial de R$ 9,07 por cota, informado no relatório de agosto, mas essa diferença não representa necessariamente uma oportunidade sem riscos.

O principal desafio está em transformar o crescimento patrimonial em resultados maiores por cota.

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Nova aquisição de R$ 156 milhões reforça aposta em logística

Uma das movimentações mais importantes aconteceu em 2 de outubro de 2026, quando o GARE11 anunciou a aquisição do Complexo Logístico Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, por aproximadamente R$ 155,9 milhões.

O empreendimento possui 18.987 m² de área bruta locável e está integralmente alugado. A BRF ocupa aproximadamente 45% da área, enquanto a Reiter Log responde pelos 55% restantes.

O imóvel possui estrutura frigorificada, característica relevante para operações que dependem de controle de temperatura. Esse tipo de instalação exige infraestrutura especializada, o que pode favorecer sua competitividade, embora também represente maior complexidade operacional.

Segundo as estimativas da gestão, a aquisição apresenta rentabilidade de 13,5% ao ano nos primeiros cinco anos, passando para 11,75% posteriormente.

Esses percentuais representam projeções relacionadas ao investimento imobiliário, não uma promessa de dividendos aos cotistas.

Carrefour continua importante na carteira

Outra compra relevante ocorreu em julho de 2026, quando o fundo adquiriu um galpão logístico em Itapevi, São Paulo, por R$ 119,81 milhões.

O imóvel possui 34.286 m² e está totalmente locado ao Grupo Carrefour, gerando aproximadamente R$ 946 mil mensais em aluguel. Cerca de 40% de sua área é destinada à armazenagem refrigerada, com possibilidade de ampliação dessa capacidade.

O ponto de atenção está no contrato típico, com vencimento em dezembro de 2029. Embora o galpão gere receita imediata, a renovação contratual será importante para a manutenção dos resultados.

A compra também evidencia uma aparente contradição: o GARE11 pretende diminuir sua concentração no Carrefour, mas continua adquirindo ativos alugados ao grupo.

A explicação está na estratégia de venda e substituição de imóveis, que busca reduzir proporcionalmente a dependência de determinados locatários.

Venda de R$ 804 milhões pode mudar o perfil do fundo

O GARE11 negocia a venda de um conjunto de dez imóveis ao fundo imobiliário Riza Master, em uma transação avaliada em aproximadamente R$ 804,4 milhões.

O portfólio envolve cinco lojas Atacadão, três lojas Mix Mateus e dois ativos logísticos.

No relatório de agosto, a gestão informou que a primeira liquidação havia sido reprogramada para outubro de 2026, enquanto outra etapa continuava prevista para janeiro de 2027. Portanto, os efeitos definitivos dessa operação dependem de sua efetiva conclusão.

Nas projeções divulgadas após a aquisição em Nova Santa Rita, considerando também a venda negociada, a logística passaria a representar 50% das receitas imobiliárias, enquanto a renda urbana ficaria com 41% e os escritórios, com 9%.

A mudança ampliaria a participação logística, mas o investidor também precisa observar a rentabilidade obtida com a realocação dos recursos.

Dividendos continuam consistentes, mas há espaço para crescer?

O relatório referente a agosto apresentou números importantes. O fundo registrou resultado líquido de R$ 24,46 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 0,085 por cota. A distribuição foi de R$ 0,083 por cota.

Isso significa que, naquele mês, o resultado superou ligeiramente o valor distribuído.

A gestão manteve sua projeção de rendimentos mensais entre R$ 0,083 e R$ 0,090 por cota para 2026.

Considerando a distribuição mensal de R$ 0,083 e a cotação de R$ 8,77, o rendimento anualizado simples fica próximo de 11,4%, caso o pagamento permaneça constante.

O percentual é atrativo, mas não deve ser confundido com retorno garantido. Distribuições futuras dependem das receitas, das despesas e das decisões da administração.

Vacância zero e contratos longos são diferenciais

Ao final de agosto, o GARE11 reunia 34 imóveis, aproximadamente 498 mil m² de área locável e vacância física e financeira zerada.

Outro indicador favorável era a participação de contratos atípicos, responsáveis por 88% da receita contratada, com prazo médio de locação de 9,33 anos.

Essa estrutura oferece maior previsibilidade contratual, embora não elimine riscos de crédito, concentração de inquilinos ou renegociações futuras.

O fundo também informou disponibilidades superiores às obrigações financeiras consolidadas, condição positiva para atravessar o atual ciclo de investimentos.

GARE11 está barato ou o desconto tem justificativa?

Com valor patrimonial de R$ 9,07 e cotação de R$ 8,77, o GARE11 apresentava desconto aproximado de 3,3% sobre o patrimônio informado em agosto.

Entretanto, negociar abaixo do patrimônio não significa automaticamente estar barato.

O fundo combina imóveis físicos, participações em outros veículos imobiliários e operações de gestão ativa. Essa estrutura exige atenção à qualidade dos ativos, às condições das transações e à evolução dos resultados por cota.

Conclusão: crescer não basta, é preciso entregar mais resultado

O GARE11 apresenta fundamentos favoráveis, especialmente ocupação integral dos imóveis, contratos longos e distribuição recorrente de rendimentos. A expansão logística também pode melhorar a diversificação da carteira.

O risco está na execução. Novas aquisições, operações estruturadas e vendas ainda pendentes tornam a análise mais complexa.

A verdadeira medida de sucesso não será o tamanho que o patrimônio alcançar, mas quanto desse crescimento chegará efetivamente ao bolso do cotista. Até que isso fique evidente nos resultados, o desconto patrimonial deve ser interpretado como parte da avaliação, não como uma garantia de valorização.