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IFIX despenca quase 8% após eleições e registra uma das maiores quedas de sua história

Índice de fundos imobiliários recua para 3.672 pontos em meio à disparada dos juros futuros; fundos de tijolo e de crédito lideram as perdas no pregão.

Redação RadarFII Publicado em 26/10/2026

A segunda-feira (26) começou com uma das quedas mais intensas já registradas pelo Índice de Fundos Imobiliários da B3 (IFIX). Às 11h02, o indicador recuava 7,98%, aos 3.672 pontos, próximo da mínima da sessão, de 3.671 pontos. O movimento ocorreu após o segundo turno das Eleições 2026.

O índice partiu da região dos 3.990 pontos, sofreu a maior parte da queda nos primeiros dez minutos de negociação e passou a oscilar lateralmente a partir das 10h46.

O resultado eleitoral surpreendeu parte dos investidores. Lula foi reconduzido à Presidência com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O desfecho contrariou as expectativas de parte do mercado, que apostava em uma mudança de governo desde meados de agosto.

A queda atingiu diferentes segmentos da bolsa de valores nesta segunda-feira (26), incluindo o mercado de ações. Um recuo superior a 10% levou a B3 a interromper por meia hora as negociações do mercado à vista, mecanismo que não era acionado desde março de 2020. O IFIX, por sua vez, começou a ser negociado depois do horário habitual.

Na retomada, o Ibovespa chegou a cair cerca de 17%, enquanto o dólar avançou mais de 12%, superando R$ 5,60.

No mercado de fundos imobiliários, a pressão está relacionada principalmente às expectativas sobre os juros. Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) de prazos mais longos avançaram mais de 2,6 pontos percentuais, enquanto o Tesouro cancelou os leilões de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para a semana.

Quando a renda fixa passa a oferecer retornos maiores, os investidores tendem a exigir rendimentos mais elevados dos fundos imobiliários para continuar investindo nesses ativos. Esse ajuste costuma ocorrer por meio da desvalorização das cotas.

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IFIX antes do segundo turno das Eleições 2026

Na sexta-feira (23), o IFIX encerrou o pregão aos 3.990,57 pontos, seu maior patamar em 52 semanas, acumulando valorização de 6,27% em outubro. A queda desta segunda-feira eliminou todo esse ganho e deixou o indicador abaixo do nível registrado no início do mês.

Parte expressiva da valorização anterior ocorreu após o primeiro turno das eleições, quando o candidato do PL terminou à frente, alimentando as expectativas de uma política fiscal mais restritiva, com possíveis efeitos favoráveis sobre a inflação e os juros.

Nos dois pregões seguintes àquela votação, o índice avançou 3,63%. A perda registrada nesta manhã equivale a mais que o dobro dessa alta.

Escritórios e shoppings estão entre os mais pressionados

O ranking de desempenho reforça a percepção de que os fundos imobiliários de tijolo seriam particularmente afetados. Três dos cinco ativos com as maiores perdas pertencem a esse grupo, incluindo dois fundos de lajes corporativas. O segmento havia liderado a valorização da semana anterior, com alta de 4,05%.

Os fundos que possuem imóveis físicos são ativos de longo prazo, cujo valor depende, entre outros fatores, da taxa de desconto utilizada para trazer os aluguéis futuros a valor presente.

Com a disparada dos juros reais, essa avaliação tende a piorar. Já os fundos de fundos, que investem em cotas de outros FIIs, podem reproduzir as oscilações do mercado de forma ampliada.

Entre as maiores quedas do IFIX até as 11h02 estavam:

A liderança negativa, no entanto, ficou com um fundo de crédito, o RPRI11. O desempenho indica que as carteiras de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) corrigidos pela inflação também passaram por uma forte reprecificação.

Até aquele horário, nenhum FII integrante do índice operava em alta. As quedas menos intensas apareciam principalmente entre fundos de recebíveis e estratégias menos expostas aos juros de longo prazo.

Entre as menores quedas do IFIX até as 11h02 estavam:

O histórico das eleições anteriores

Na sexta-feira, a XP já havia sinalizado esse risco. A equipe responsável pela análise de fundos listados lembrou que o IFIX costuma apresentar desempenho negativo no curto prazo quando o resultado eleitoral frustra as expectativas do mercado, e comportamento positivo em cenários opostos, como ocorreu em 2018.

Um levantamento da corretora sobre as eleições de 2014, 2018 e 2022 identificou esse padrão. Considerando a mediana dos três ciclos, o índice recuou 9,6% no trimestre posterior ao segundo turno, mas encerrou o período de um ano com valorização de 5,4%.

Assim, a perda acumulada em poucas horas nesta segunda-feira já se aproxima da queda que, historicamente, levou três meses para ocorrer. O estudo ressalta, porém, que a amostra é pequena e que a composição da carteira do índice mudou de forma significativa ao longo do período analisado.

Nos ciclos considerados, o IFIX recuperou terreno nos doze meses seguintes às eleições, enquanto o Ibovespa seguiu na direção contrária.

O comportamento dos fundos imobiliários nas próximas semanas dependerá, em boa medida, das sinalizações sobre a equipe econômica e das primeiras decisões fiscais do novo mandato. Esses fatores ajudarão a indicar se a alta dos juros representa uma mudança duradoura ou se parte da reação observada nesta segunda-feira foi exagerada.