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Dividendos

MXRF11 ou Tesouro Selic: quanto rendem R$ 20 mil em outubro de 2026?

Simulação compara a renda mensal potencial do fundo imobiliário com o ganho líquido estimado do Tesouro Selic, considerando juros de 13,75% ao ano, tributação, riscos e liquidez.

Redação RadarFII Publicado em 20/10/2026

Investir R$ 20 mil no fundo imobiliário MXRF11 ou no Tesouro Selic pode produzir resultados bastante diferentes, mesmo quando as duas aplicações apresentam rendimentos aparentemente próximos. A escolha envolve uma questão que vai além da rentabilidade: receber dinheiro periodicamente na conta ou priorizar a preservação e o crescimento do patrimônio.


Em outubro de 2026, essa comparação ganhou relevância porque a taxa Selic permanece em 13,75% ao ano, enquanto o Maxi Renda (MXRF11), um dos fundos imobiliários mais populares da Bolsa brasileira, mantém pagamentos mensais de R$ 0,10 por cota.


O último rendimento do fundo foi pago em 15 de outubro, referente aos investidores posicionados até 30 de setembro de 2026. Considerando a cotação de referência de R$ 9,17 daquela data, a distribuição correspondeu a aproximadamente 1,09% no mês.


Já o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, definida pelo Banco Central. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a meta em 13,75% ao ano na reunião de setembro, e o mercado projeta possíveis cortes nos próximos meses.


Mas qual dessas aplicações realmente entrega o melhor resultado para quem dispõe de R$ 20 mil?


A resposta depende de três fatores fundamentais: rendimento líquido, risco sobre o capital investido e necessidade de renda mensal.


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Quanto rendem R$ 20 mil no MXRF11?

O Maxi Renda é um fundo imobiliário com exposição predominante a títulos de crédito imobiliário, conhecidos como CRIs, além de investimentos em outros fundos imobiliários e operações relacionadas ao setor.


No relatório gerencial com referência a agosto de 2026, divulgado em 2 de outubro, a carteira apresentava aproximadamente 72,6% em CRIs, 12% em FIIs, 7,2% em permutas financeiras e 8,1% em caixa.


O fundo também havia concluído uma oferta de cotas, captando aproximadamente R$ 1 bilhão para ampliar os investimentos.


Com a distribuição de R$ 0,10 por cota, é possível realizar uma simulação de renda mensal usando o valor histórico de R$ 9,17 por cota, observado em 30 de setembro.


IndicadorSimulação MXRF11
Capital disponívelR$ 20.000
Cotação de referênciaR$ 9,17
Quantidade de cotas2.181
Valor aplicado em cotasR$ 19.999,77
Último rendimento por cotaR$ 0,10
Renda mensal simuladaR$ 218,10
Renda em 12 meses, se constanteR$ 2.617,20

Cálculo ilustrativo, sem custos de negociação. A cotação de R$ 9,17 é histórica e não representa uma oferta disponível em 20 de outubro. A projeção anual considera 12 distribuições iguais a R$ 0,10, sem reinvestimento, oscilação no preço das cotas ou novos aportes.


Isso significa que o investidor poderia receber aproximadamente R$ 218 por mês caso conseguisse adquirir a mesma quantidade de cotas e o fundo mantivesse a distribuição atual.


É importante destacar que esses pagamentos não são garantidos. O resultado do fundo pode variar conforme a carteira de crédito, os juros, a inadimplência e as decisões de distribuição da gestão.


Além disso, receber R$ 218 em rendimentos não significa necessariamente que o patrimônio tenha valorizado. Se o preço das cotas cair, o investidor poderá sofrer uma perda de capital superior à renda recebida.


Tesouro Selic: quanto rendem os mesmos R$ 20 mil?

O Tesouro Selic é um título público federal cuja remuneração está vinculada à taxa básica de juros.


Seu principal diferencial é o baixo risco de crédito em reais, por ser uma obrigação do Tesouro Nacional. O título também apresenta liquidez para resgates, sujeito às condições operacionais do Tesouro Direto e às oscilações de preço na venda antecipada.


Com a Selic em 13,75% ao ano, os R$ 20 mil teriam uma remuneração bruta aproximada de R$ 2.750 ao longo de 12 meses, assumindo uma taxa anual constante, sem considerar o pequeno ágio ou deságio específico do título escolhido.


No entanto, o investidor não recebe integralmente esse valor no bolso.


O Tesouro Selic está sujeito a Imposto de Renda sobre o rendimento e à taxa de custódia da B3 sobre o montante que ultrapassar R$ 10 mil por investidor, além de eventual cobrança da instituição financeira.


IndicadorTesouro Selic — simulação
Investimento inicialR$ 20.000
Taxa anual hipotética constante13,75%
Rendimento bruto em 12 mesesR$ 2.750
IR de 17,5% após 365 diasR$ 481,25
Custódia estimada da B3Cerca de R$ 20
Ganho líquido estimadoCerca de R$ 2.249
Equivalente médio mensalCerca de R$ 187

Simulação simplificada para resgate em 365 dias, supondo retorno bruto de 13,75%, alíquota de IR de 17,5%, custódia aproximada e corretora sem taxa adicional. Não é cotação executável nem previsão de rentabilidade. A custódia real depende do saldo diário e da valorização dos títulos.


O ponto importante é que o Tesouro Selic não realiza pagamentos mensais automáticos de rendimentos. O ganho se acumula no valor do título e se transforma em dinheiro disponível quando ocorre o resgate, respeitando as regras aplicáveis.


Portanto, o equivalente de R$ 187 por mês apresentado na tabela é apenas uma forma de comparação matemática, não uma transferência mensal para a conta do investidor.


MXRF11 x Tesouro Selic: comparação direta dos rendimentos

Considerando os parâmetros apresentados, o MXRF11 poderia distribuir mais dinheiro ao longo de 12 meses do que o ganho líquido estimado do Tesouro Selic.


Na simulação com R$ 20 mil e horizonte de 12 meses, o fundo poderia distribuir aproximadamente R$ 2.617 se mantivesse o pagamento de R$ 0,10 por cota mensalmente. Já o Tesouro Selic proporcionaria um ganho líquido estimado de R$ 2.249, considerando a Selic constante e o resgate após 365 dias.


As barras comparam as distribuições do fundo imobiliário com o ganho líquido estimado do título, e não o retorno total dos dois investimentos.


O MXRF11 supera o Tesouro nesta simulação de recebimentos, mas a comparação não inclui a valorização ou a desvalorização das cotas do fundo.


A diferença aproximada seria de R$ 368 em um ano, considerando essas hipóteses.


Entretanto, esse resultado não significa que o MXRF11 seja necessariamente mais rentável.


A comparação reúne duas métricas distintas: distribuições em dinheiro de um fundo de renda variável e rendimento financeiro líquido de um título público.


Para calcular o retorno total do MXRF11, seria necessário somar as distribuições recebidas à variação do preço de mercado das cotas durante o período, descontando eventuais despesas e tributos aplicáveis.


Se as cotas caírem de preço, parte ou até a totalidade da vantagem apresentada pode desaparecer.


Por isso, o investidor deve evitar decidir apenas com base no dividend yield.


O que acontece se a Selic cair nos próximos meses?

O cenário de juros é uma variável importante nessa disputa.


Segundo o Boletim Focus divulgado em 19 de outubro, o mercado projeta a Selic em 13,25% no encerramento de 2026, diante da expectativa de dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões restantes do Copom.


Se esse movimento ocorrer, a remuneração futura do Tesouro Selic tenderá a acompanhar a redução da taxa básica.


Para o MXRF11, o efeito não é tão simples.


Como parte expressiva da carteira é composta por CRIs, o resultado depende dos indexadores dos papéis, das condições contratadas, da inflação, da inadimplência e da capacidade da gestão de reinvestir os recursos.


Em títulos indexados ao CDI, uma queda dos juros pode reduzir receitas financeiras futuras. Por outro lado, um ambiente econômico mais favorável pode melhorar o crédito e estimular a demanda por fundos imobiliários.


Esses movimentos não acontecem necessariamente ao mesmo tempo.


Assim, uma queda na Selic não assegura valorização do MXRF11 nem a manutenção de seus rendimentos.


MXRF11 é mais arriscado que o Tesouro Selic?

Sim. Os dois produtos possuem estruturas de risco diferentes.


No Tesouro Selic, o investidor assume principalmente o risco soberano brasileiro, a variação das condições de mercado e eventuais custos de resgate. É considerado uma das alternativas de menor risco de crédito em reais, embora não seja absolutamente livre de risco.


No MXRF11, os riscos incluem perdas em operações de crédito imobiliário, desvalorização das cotas, problemas com garantias, mudanças nas taxas de juros e alterações nos resultados distribuíveis.


CaracterísticaMXRF11Tesouro Selic
NaturezaFundo imobiliário listadoTítulo público federal
Risco de créditoCarteira de ativos imobiliáriosTesouro Nacional
Oscilação de preçoPode ser significativaGeralmente menor
Renda periódicaDistribuições mensais, sem garantiaNão paga renda mensal
LiquidezVenda em Bolsa, conforme negociaçãoResgate conforme regras do Tesouro
IR para pessoa físicaDistribuições geralmente isentas, se cumpridos os requisitos legaisIR regressivo sobre os ganhos
Garantia do FGCNão possuiNão possui; é uma obrigação soberana
Capital garantidoNãoNão há garantia contra toda oscilação na venda antecipada

O Tesouro Selic costuma ser mais apropriado quando a preservação do capital e a disponibilidade do dinheiro são prioritárias.


Já o MXRF11 pode atrair investidores dispostos a aceitar riscos de mercado e crédito em troca da possibilidade de receber distribuições frequentes.


Imposto de Renda pode mudar a comparação

A tributação representa outra diferença importante.


As distribuições de fundos imobiliários para pessoas físicas podem ser isentas de Imposto de Renda quando são atendidos os requisitos previstos na legislação. Essa isenção não significa que todo ganho com o fundo seja livre de imposto.


Na venda de cotas de FIIs com lucro, em regra, incide IR de 20% sobre o ganho de capital, conforme o regime tributário aplicável.


No Tesouro Selic, a tributação dos rendimentos obedece à tabela regressiva.


Prazo da aplicaçãoIR sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Também existe IOF regressivo para resgates de títulos públicos antes de 30 dias, além da taxa de custódia sobre a parcela do investimento em Tesouro Selic que exceder o limite de isenção estabelecido.


Uma análise tributária completa deve considerar o prazo de investimento e a situação individual do contribuinte.


Qual investimento faz mais sentido para receber renda todos os meses?

Para quem deseja receber dinheiro diretamente na conta de forma recorrente, o MXRF11 possui uma característica operacional favorável: a distribuição periódica de rendimentos.


Entretanto, esses pagamentos não são equivalentes a juros contratualmente garantidos de um título público.


O Tesouro Selic permite ao investidor estruturar resgates periódicos, mas isso exige a venda de parte dos títulos e pode reduzir o patrimônio caso os saques superem a rentabilidade líquida acumulada.


Já para uma reserva de emergência, a característica mais importante geralmente não é o maior pagamento mensal, mas a capacidade de acessar o dinheiro com risco reduzido de perdas.


Nesse tipo de objetivo, o Tesouro Selic tende a apresentar vantagens sobre fundos imobiliários.


Para uma carteira voltada à renda passiva de longo prazo, fundos como o MXRF11 podem ter uma função diferente, desde que a exposição seja compatível com os riscos envolvidos.


Vale mais a pena MXRF11 ou Tesouro Selic em outubro de 2026?

A comparação mostra que, com R$ 20 mil, o MXRF11 poderia distribuir aproximadamente R$ 218 por mês caso mantivesse o rendimento recente e fosse adquirido no preço histórico utilizado na simulação.


O Tesouro Selic, por sua vez, poderia proporcionar ganho líquido próximo de R$ 2,25 mil em 12 meses, nas condições hipotéticas apresentadas, oferecendo menor risco de crédito e maior previsibilidade de remuneração.


A diferença é que um oferece distribuição de rendimentos sujeita ao desempenho de uma carteira de investimentos, enquanto o outro acumula uma remuneração vinculada aos juros básicos da economia.


Para quem prioriza segurança e liquidez, o Tesouro Selic tende a ser mais adequado. Para quem aceita oscilações e busca distribuições recorrentes, o MXRF11 pode merecer consideração.


O ponto decisivo não é descobrir qual investimento paga mais em determinado mês, mas entender qual oferece a melhor relação entre retorno total esperado, risco e objetivo financeiro.


Antes de investir, é importante consultar o preço atualizado das cotas, os relatórios recentes do fundo, a taxa efetivamente oferecida pelo título público e as condições tributárias aplicáveis.