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Dividendos

Queda de GARE11 e TRXF11 contraria o mercado e levanta dúvidas entre investidores

Apesar de fundamentos sólidos, fundos imobiliários sofrem pressão nas cotações após aquisições financiadas por emissão de cotas

Redação RadarFII Publicado em 17/02/2026

Nas últimas semanas, dois fundos imobiliários passaram a operar na contramão do mercado. Enquanto boa parte dos FIIs vinha apresentando recuperação nas cotações, GARE11 e TRXF11 registraram quedas relevantes.

O movimento gerou dúvidas entre investidores, especialmente porque a análise dos relatórios gerenciais não indica deterioração dos fundamentos operacionais.

GARE11: portfólio robusto e contratos de longo prazo

O GARE11 apresenta características que, em tese, não justificariam uma queda acentuada nas cotas.

  • Portfólio com 33 imóveis
  • Prazo médio dos contratos superior a 10 anos
  • Vacância física e financeira zerada
  • Atuação híbrida, com ativos logísticos, corporativos e outros segmentos
  • Forte presença em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul
  • Endividamento considerado administrável
  • Caixa superior às obrigações de curto prazo

Todos os inquilinos permanecem adimplentes e os contratos são majoritariamente de longo prazo.

Além disso, o fundo sinalizou a possibilidade de expansão do portfólio para até 39 ativos, com novas aquisições já encaminhadas.

TRXF11: contratos atípicos e grandes inquilinos

O TRXF11 também mantém fundamentos considerados sólidos.

  • Contratos com prazo médio superior a 12 anos
  • Predominância de contratos atípicos
  • Vacância inferior a 0,5%
  • Inquilinos de grande porte, como Grupo Mateus, Assaí e Grupo Pão de Açúcar
  • Alavancagem dentro de níveis controlados

Não há indícios de deterioração operacional, aumento de inadimplência ou risco de desorganização financeira.

O verdadeiro motivo da queda: emissão de cotas para pagar aquisições

O movimento negativo nas cotações não está relacionado a problemas estruturais, mas sim a uma decisão estratégica de financiamento.

Durante o mês de dezembro, ambos os fundos realizaram aquisições relevantes pagas majoritariamente por meio de integralização em cotas.

Como funciona essa operação
  • O fundo emite novas cotas
  • Essas cotas são entregues ao vendedor do imóvel
  • O vendedor passa a ser cotista do fundo

Essa estrutura evita financiamento com juros elevados, preserva o caixa e reduz a necessidade de aumento da dívida, sendo comum em cenários de Selic elevada.

O efeito colateral: pressão vendedora temporária

Quando as cotas emitidas são liberadas para negociação, os antigos proprietários dos imóveis podem optar por vender no mercado secundário.

Esse aumento pontual da oferta gera pressão sobre os preços das cotas no curto prazo.

Linha do tempo do GARE11
EventoImpacto
Anúncio de aquisições via cotas no fim de dezembroInício da pressão nas cotações
Cotação no período9,11 reais
14 de janeiroLiberação das cotas da emissão
Pós-liberaçãoIntensificação da queda

O fundo ainda sinalizou novas aquisições, o que pode manter a pressão no curto prazo caso sejam novamente pagas por meio de emissão de cotas.

Linha do tempo do TRXF11
EventoImpacto
1º de dezembroInício dos anúncios de aquisições
Cotação inicial98,35 reais
Mínima aproximada91 reais
12 de janeiroLiberação da décima segunda emissão
Pós-liberaçãoNova queda próxima de 3%

A reação do mercado ocorreu principalmente após a liberação das novas cotas para negociação.

Por que essa estratégia pode ser positiva no longo prazo

Apesar do impacto negativo no curto prazo, a estratégia adotada pode gerar benefícios relevantes ao longo do tempo.

  • Expansão do patrimônio imobiliário
  • Aumento da geração potencial de renda
  • Crescimento da base de ativos
  • Preservação da estrutura financeira
  • Redução do risco associado a dívidas caras

Caso os novos imóveis entreguem renda consistente, o efeito dilutivo tende a ser absorvido gradualmente.

O que pode acontecer a partir de agora

No curto prazo, ainda pode haver continuidade da pressão vendedora, especialmente se novas aquisições forem realizadas por meio de integralização em cotas.

No médio e longo prazo, o aumento da receita pode fortalecer os dividendos, a redução da pressão técnica pode permitir recuperação das cotações e um eventual ciclo de queda da Selic tende a beneficiar os fundos imobiliários.

A queda de GARE11 e TRXF11 não está relacionada a vacância, inadimplência ou descontrole financeiro. O fator central é técnico: aumento temporário da oferta de cotas após aquisições pagas via emissão.

Se a pressão diminuir e os ativos incorporados apresentarem desempenho operacional sólido, o movimento atual pode representar uma oportunidade estratégica para investidores atentos.

A questão agora não é a existência de problemas estruturais, mas se o mercado está apenas antecipando um excesso momentâneo de oferta ou abrindo espaço para posicionamento em níveis de preço mais atrativos.