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Dividendos

RZAK11 inicia 2026 com dividendos elevados, recuperação patrimonial parcial e riscos de crédito no radar

Fundo de papel da Riza Asset mantém distribuição acima do guidance, negocia próximo ao valor patrimonial e aposta em carteira diversificada entre CDI, inflação e crédito estruturado

Redação RadarFII Publicado em 10/02/2026

O fundo imobiliário RZAK11, gerido pela Riza Asset, inicia 2026 com patrimônio líquido estimado em R$ 781 milhões, valor patrimonial por cota em torno de R$ 88,70 e cotação de mercado próxima de R$ 86,50. Esse nível de preço posiciona o fundo com P/VP entre 0,97 e 0,98, ainda abaixo dos patamares observados no fim de 2023, mas já representando recuperação relevante frente a dezembro de 2024, quando o valor patrimonial estava próximo de R$ 86.

A liquidez segue elevada para um FII de papel, com volume médio diário ao redor de R$ 8 milhões, característica que aumenta a atratividade do fundo para investidores que valorizam facilidade de entrada e saída no mercado secundário.

Dividendos elevados com suporte de reservas e juros altos

O RZAK11 mantém distribuição mensal de R$ 1,10 por cota, patamar acima do guidance oficial da gestão, que segue indicando faixa entre R$ 1,00 e R$ 1,30. Esse pagamento corresponde a um dividend yield mensal próximo de 1,29%, o que, anualizado, supera com folga a média do mercado de fundos imobiliários.

A sustentação desse nível de dividendos está apoiada em três vetores principais:

  • CDI ainda em patamar elevado, beneficiando ativos pós-fixados;
  • Carteira com forte exposição à inflação, preservando o poder real do fluxo de caixa;
  • Uso estratégico de reservas acumuladas, estimadas entre R$ 0,39 e R$ 0,42 por cota.

No resultado mais recente, o fundo chegou a reter aproximadamente R$ 0,19 por cota, reforçando a capacidade de manter as distribuições no curto prazo, mesmo diante de oscilações pontuais no resultado de competência.

Carteira diversificada e equilíbrio entre indexadores

O RZAK11 opera como um fundo de papel multiestratégia, com alocações em CRIs, fundos imobiliários e operações estruturadas. A distribuição por indexador mostra equilíbrio entre proteção inflacionária e aproveitamento do ciclo de juros:

  • 44% atrelado ao IPCA, com taxa média próxima de IPCA + 10,2% ao ano;
  • 35% indexado ao CDI, com taxa média de CDI + 3,41%;
  • Parcela remanescente distribuída entre estruturas híbridas e posições táticas.

Essa composição favorece o fundo em ambientes de inflação resiliente e juros elevados, como o observado no início de 2026.

Ajustes estratégicos na alocação

A gestão sinaliza mudanças graduais na composição do portfólio, com redução da exposição ao setor imobiliário tradicional, que hoje representa cerca de 46% da carteira, com meta de queda para algo próximo de 32%.

Em paralelo, há aumento da participação em crédito direto a empresas, buscando retornos mais elevados, e entrada progressiva em operações ligadas ao agronegócio, ampliando a diversificação setorial. O fundo opera com alavancagem moderada, em torno de 8,5% acima do patrimônio líquido, prática alinhada à estratégia adotada.

Recuperação patrimonial ainda em curso

Apesar da valorização observada entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o RZAK11 ainda não recuperou integralmente as perdas acumuladas após eventos de crédito relevantes nos últimos anos. Em cenários de preço entre R$ 80 e R$ 85, o fundo chega a negociar com desconto mais expressivo sobre o valor patrimonial, elevando o dividend yield implícito para níveis superiores a 16% ao ano.

Essa combinação de preço descontado e renda elevada explica o interesse renovado de parte do mercado, mesmo com riscos ainda presentes.

CRIs Starbucks seguem como principal ponto de atenção

O principal risco permanece concentrado nos CRIs ligados à antiga operadora da Starbucks no Brasil, atualmente em recuperação judicial. Essas posições sofreram forte marcação negativa e hoje representam fatias reduzidas do patrimônio:

  • Uma operação equivalente a cerca de 0,20% do patrimônio líquido;
  • Outra em torno de 0,26% do patrimônio.

Na prática, o impacto desses ativos já está amplamente refletido no valor patrimonial atual. No entanto, não há geração de caixa recorrente associada a essas operações, o que exige monitoramento contínuo.

Fora esse evento específico, a carteira apresenta baixo nível de concentração. O destaque positivo fica para a operação Riza Viseu, atualmente o maior ativo individual do fundo, responsável por cerca de 7,2% do patrimônio e que contribuiu para a recente recuperação patrimonial.

Reservas e sustentabilidade das distribuições

O fundo mantém nível de caixa entre 2,5% e 3% do patrimônio, suficiente para cobrir obrigações de curto prazo. As reservas acumuladas funcionam como amortecedor relevante, permitindo suavizar a distribuição de rendimentos em meses de menor resultado.

Ainda assim, a manutenção do patamar atual de dividendos está diretamente ligada ao cenário macroeconômico. Uma queda mais intensa do CDI no médio prazo tende a reduzir o carrego da carteira e pressionar as distribuições futuras.

Risco-retorno do RZAK11 em 2026

O RZAK11 segue posicionado como um fundo de alto rendimento, adequado a investidores com maior tolerância a risco de crédito. O prêmio pago ao cotista é elevado, mas diretamente associado à exposição a CRIs estruturados, ao uso de alavancagem e ao histórico recente de inadimplência.

Com juros ainda elevados, inflação resiliente e reservas robustas, o fundo inicia 2026 em condição mais estável do que no passado recente, embora continue exigindo acompanhamento constante por parte do investidor.