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SNME11 avança com incorporação do SNFF11 e reforça estratégia multiestratégia em 2026

Fusão amplia escala, liquidez e flexibilidade do fundo, enquanto gestão afasta temor de perda de identidade após absorção do SNFF11

Redação RadarFII Publicado em 09/02/2026

O fundo imobiliário SNME11, gerido pela Suno Asset, passou a ocupar o centro do debate no mercado de FIIs no início de 2026 após a aprovação, em assembleia geral extraordinária, da incorporação do SNFF11, fundo de fundos da mesma gestora. A operação levantou questionamentos entre investidores, especialmente sobre a possibilidade de o fundo perder sua característica multiestratégia ao absorver um veículo significativamente maior.

De acordo com o analista de fundos imobiliários da Suno Asset, Gerardo Azevedo, a preocupação é natural, mas não condiz com a lógica por trás da operação. Durante live com investidores, ele destacou que o objetivo não é descaracterizar o fundo. “Não se trata de perder a veia multiestratégia do SNME11. Pelo contrário, a incorporação vem para fortalecer exatamente essa proposta”, afirmou.

Com a operação, o fundo resultante deve alcançar um patrimônio líquido superior a R$ 400 milhões, com potencial de crescimento adicional à medida que novas estruturas sejam implementadas. Atualmente, o SNME11 possui cerca de R$ 70 milhões, enquanto o SNFF11 soma mais de R$ 350 milhões em ativos.

Ganho de escala e acesso a novas oportunidades

Segundo Azevedo, o aumento de escala é um dos principais pilares da estratégia. Um fundo maior tende a apresentar maior liquidez e capacidade operacional, o que amplia o leque de oportunidades disponíveis. “Um veículo mais robusto permite acessar operações que simplesmente não cabem no tamanho atual do fundo”, explicou.

Outro ponto relevante é a flexibilidade que a incorporação proporciona. Os ativos do SNFF11 serão incorporados ao SNME11 a preço de mercado, o que abre espaço para ajustes relevantes na carteira. “São ativos líquidos, negociados em bolsa, que podem ser vendidos e transformados em caixa para novas alocações em crédito, imóveis diretos, produtos estruturados e outras estratégias”, afirmou.

SNFF11: distribuições elevadas marcaram 2025

O debate em torno da fusão acontece após um ano de resultados expressivos no SNFF11. Em dezembro de 2025, o fundo distribuiu R$ 0,80 por cota, encerrando o ano após três meses consecutivos de pagamentos de R$ 1,10 por cota.

No acumulado, o dividend yield anualizado ficou na faixa de 13% a 14%, impulsionado por ganhos de capital relevantes. Segundo a gestora, esses resultados foram consequência direta de desinvestimentos realizados principalmente entre setembro e outubro de 2025. “Foram saídas estratégicas que permitiram realizar lucro e distribuir praticamente todo o resultado acumulado”, explicou Azevedo.

Mesmo após essas distribuições, o SNFF11 encerrou dezembro com cota patrimonial de R$ 8,688 e desconto próximo de 12% em relação ao valor patrimonial, patamar que se mantém relativamente estável no início de 2026.

Multiestratégia segue como pilar do fundo combinado

A gestão reforça que o perfil multiestratégia continuará sendo o eixo central do fundo após a incorporação. “O nome não é por acaso. Vamos seguir alocando em crédito, eventualmente em imóveis diretos, em operações estruturadas e em outras frentes. Essa característica não só permanece, como ganha força com o aumento de patrimônio”, destacou Azevedo.

Segundo ele, a carteira do SNME11 seguirá dinâmica e sem apego a posições específicas. “Se identificarmos oportunidades melhores, não hesitamos em vender ativos, mesmo que isso envolva pequenos ajustes de preço, para buscar maior potencial de retorno no médio e longo prazo”, concluiu.