Um dos exemplos mais emblemáticos de como a concentração em um único imóvel e inquilino pode ser devastadora para um fundo imobiliário, o XPCM11 (XP Corporate Macaé) vive em 2026 um momento de virada. O fundo, que detinha apenas um prédio de escritórios totalmente alugado à Petrobras e perdeu o contrato em 2020, convocou os cotistas para deliberar sobre mudanças profundas em sua estrutura.
A primeira proposta é a troca de identidade: o fundo passaria a se chamar Urca Valorização Real FII e adotaria o novo ticker UEVR11 na B3.
Mas as mudanças não param no nome. A gestão também propõe ampliar a política de investimentos do fundo, que hoje se limita ao Imóvel Macaé, para incluir uma gama muito mais diversificada de ativos:
- Cotas de outros Fundos Imobiliários (FIIs)
- Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)
- Letras de Crédito Imobiliário (LCIs)
- Letras Hipotecárias (LHs)
- Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs)
- Imóveis comerciais, residenciais ou logísticos
- Certificados de potencial adicional de construção
- Cotas de FIPs, fundos de ações do setor imobiliário e cotas de FIDCs elegíveis
Nova emissão e perspectivas
A gestão do XPCM11 também pretende viabilizar uma nova emissão de cotas de até 10 milhões de reais, com recursos destinados a reformas, melhorias dos ativos e reforço de caixa. Atualmente, o valor patrimonial total do fundo é inferior a 50 milhões de reais.
A assembleia que vai definir o futuro do fundo está marcada para o dia 16 de abril de 2026. Mesmo após a saída da Petrobras, o XPCM11 conseguiu reduzir sua vacância física para 52% sobre uma área bruta locável total de 19,6 mil metros quadrados.
Os números, porém, contam uma história dura para quem apostou no fundo: segundo dados do Investidor10, quem investiu mil reais no XPCM11 há dez anos teria hoje apenas 212 reais e 70 centavos, mesmo considerando o reinvestimento dos dividendos. No mesmo período, o IFIX teria transformado os mesmos mil reais em 2.604 reais e 50 centavos.